A atividade ilegal foi identificada em Camocim e se estende para outros municípios da Região Norte cearense

Camocim. O promotor de Justiça do município de Camocim, Hugo Alves, afirma que aguarda somente resultado de relatório da Receita Federal para entrar com uma Ação Civil Pública suspendendo a venda da chamada "compra premiada", e obrigando o ressarcimento do dinheiro a quem aderiu aos planos. O caso foi divulgado com exclusividade pelo Diário do Nordeste na última sexta-feira.

"Já ia pedir relatório para o núcleo técnico do Ministério Público devido às constantes reclamações recebidas, mas como teve a fiscalização da Receita Federal, estou aguardando o relatório final para impetrar medida judicial", reitera o promotor. De acordo com ele, dependendo dos estudos técnicos contidos no documento, a ação judicial poderá solicitar bloqueio de bens dos proprietários das empresas e fechamento das que estão praticando o negócio de forma irregular.

Na última quinta-feira, o Ministério da Fazenda divulgou um alerta a respeito dessa prática ilegal, que seria uma nova forma para o antigo golpe conhecido como "pirâmide".

A atividade, bem rentável, segundo populares e as próprias pessoas que participam, se expande para outros municípios da Região Norte cearense. O sistema funciona assim: a empresa forma grupos de participantes que pagam parcelas mensais e concorrem a sorteios do bem contratado. Quando contemplado, o consumidor deixa de ser obrigado a quitar as demais parcelas, e outra pessoa é inserida no grupo. Há carnê de pagamento e contrato assinado pelos participantes, além de sorteios em várias datas do mês.

No Município de Tianguá, também na Zona Norte, o produtor cultural Robério Belchior diz que foi lesado por uma empresa que trabalhava com esse sistema de "venda premiada. De acordo com Belchior, o negócio atuava no Município há cerca de seis anos.

"Há cinco meses, os proprietários não cumpriram mais os compromissos de entrega dos bens premiados e foram embora. Eu tinha um consórcio de uma moto Biz e perdi 46 prestações pagas. Além de mim, mais de mil pessoas ficaram na mesma situação, fomos à Polícia, fizemos B.O. e até agora não fomos ressarcidos", denuncia. O produtor afirma ter perdido mais de R$8.000 com a "venda premiada".

Comerciantes regularizados da região estão preocupados com os negócios a partir do alerta emitido pelo Ministério da Fazenda. Eles temem serem prejudicados pela prática criminosa de empresas que aplicam golpes na população.

SILVÂNIA CLAUDINO
ESPECIAL PARA CIDADE/DN

 





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