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Foto: G1
O Hospital Sírio Libanês, na região central de São Paulo, onde Reynaldo Gianecchini está internado, confirmou na segunda-feira (22) que o tipo de câncer do ator é um linfoma de células T angioimunoblástico. Existem vários tipos de linfomas e, segundo especialistas, essa é uma variante rara e agressiva.

Os médicos consultados foram o oncologista clínico Vladmir Cordeiro de Lima, do Hospital A.C. Camargo, e a infectologista e oncologista Nise Yamaguchi, do Instituto Avanços em Medicina, ambos de São Paulo.

Eles afirmaram que a variante é mais agressiva que o linfoma difuso de grandes células B, contra o qual a presidente Dilma Rousseff lutou em 2009, quando ainda era ministra da Casa Civil. Segundo Lima, esse tipo corresponde a entre 3% e 5% dos linfomas não Hodgkins.

Os linfomas se dividem em dois grandes grupos: Hodgkins e não Hodgkins; dentro desses grupos, ainda há variantes bem diferentes entre si.

O que é?
O linfoma é resultado de uma mutação em uma célula do sistema linfático, ligado à defesa do organismo. Essa célula passa a se multiplicar de maneira descontrolada, formando tumores. Isso pode acontecer nos diferentes tipos de células encontradas no sistema, principalmente nas células B e células T.

As células T, afetadas no caso de Gianecchini, são responsáveis pela defesa celular. São elas que regulam o funcionamento do sistema imunológico.

O linfoma de células T angioimunoblástico acomete primeiro os gânglios, pequenos órgãos espalhados pelo corpo que fazem parte do sistema linfático, produzindo anticorpos. Em seguida, pode atingir outras partes do organismo, como a medula óssea, o fígado, o intestino e a pele.

O principal tratamento disponível para esse tipo de linfoma nessa situação é a quimioterapia. A quimioterapia é um tratamento intensivo com compostos químicos que atacam os tumores, mas que causam efeitos colaterais em todo o corpo -- o mais conhecido é a queda de pelos e, por isso, pacientes de câncer muitas vezes raspam o cabelo.

Há ainda pesquisas indicando para possíveis tratamentos com alvos moleculares, capazes de interromper o crescimento dos tumores. Contudo esses são tratamentos experimentais e não seriam adotados desde o princípio.

Caso o organismo responda bem à quimioterapia, é feito um transplante autólogo de medula óssea, após a quimioterapia. Nesse processo, os médicos retiram e congelam células sadias da medula. Depois, à base de medicamentos, eliminam toda a medula presente no corpo para, em seguida, injetar novamente apenas as células sadias. “Você só pode fazer isso se a pessoa tiver uma excelente resposta à quimioterapia”, ressaltou Yamaguchi.

Segundo Lima, o outro especialista consultado, a taxa de cura máxima que o tratamento atinge “varia entre 50% e 60%”. Pode parecer baixa, mas não é, se comparada a tumores em outros órgãos. “Os linfomas são um dos tipos mais curáveis do câncer. Mesmo disseminado, você pode ter cura”, garantiu Yamaguchi, que preferiu não falar em números.

Os próximos passos
Segundo os médicos, a resposta do corpo depende muito do quadro clínico. “Normalmente, a avaliação é depois de dois a três ciclos de quimioterapia”, contou Lima, oncologista do A.C. Camargo. Se for assim, só se saberá como será a evolução do tratamento daqui a cerca de dois meses.

Para Yamaguchi, esse período pode ser ainda mais breve, pois há marcadores que permitem identificar o tamanho dos gânglios. Se eles diminuírem, é sinal de que o tratamento está tendo efeito.

Se o tratamento não funcionar, a alternativa seria usar outro tipo de quimioterapia. “A cada tratamento que não funciona, a probabilidade de resposta diminui. A maior chance de cura é sempre no primeiro tratamento”, afirmou Lima.

Reynaldo Gianecchini está com 38 anos. “O fato de ele ser novo é bom, pois ele tolera tratamentos mais agressivos”, explicou Lima. Segundo os oncologistas, quando o paciente não acumula doenças crônicas, tende a ter menos complicações e interrupções no tratamento.




Informações do G1
 





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